14.8.11

Modelo Narrativo: a Mediação ajudando a contar novas histórias

O simpático casal Sara Cobb e Carlos Sluzki em B. Aires 
Finalizou no sábado (13/08) o programa internacional “O Modelo Circular Narrativo e os Sistemas Familiares”, na área de mediação familiar, ministrado por Sara Cobb e Carlos Sluzki, com a participação de Francisco Diez e Margarita Solari. Havia, também, Coordenadores Acadêmicos que auxiliaram os participantes, dentre os quais se destaca Marines Suares, cujos livros ajudaram a difundir o modelo circular narrativo na América do Sul. O curso, que ocorreu em Buenos Aires, teve 250 participantes, a grande maioria da Argentina, mas também do Chile, da Colômbia, do Equador e 26 pessoas do Brasil. Foi uma grande oportunidade de atualização sobre um dos modelos mais estudados nos cursos de Mediação de Conflitos. Abaixo um breve resumo do que foi apresentado no evento.

Sara Cobb apresentou o modelo Circular Narrativo (ou Narrativo Circular) aplicado à mediação de conflitos familiares. Sob a ótica narrativa, os conflitos são uma função das histórias que contamos, ao enfatizar diferenças (“nós” x “eles”, “bons” x “maus”) e, também, podem ser uma função das histórias que não podem ser ditas ou escutadas. Na mediação, é necessário criar espaços onde se possam contar as histórias, incluindo as vozes daqueles marginalizados (que não podem falar) e então criar uma nova história que deixe de lado a “violência semântica” e acolha a condição complexa de ser humano. A partir dessa narrativa é que o acordo será construído. Nesse sentido, os mediadores funcionam como poetas, pois recombinam as narrativas de forma a enfatizar a beleza que há em cada ser humano.

O modelo criado por Sara Cobb se utiliza de algumas ferramentas conhecidas dos terapeutas familiares: perguntas circulares, conotação positiva, reenquadres, além de outros instrumentos muito ricos. É uma lástima que alguns cursos de mediação não incluam o Modelo Narrativo em seus programas.

Carlos Sluzki apresentou, em meio a histórias de casos habilmente contadas de maneira teatral e muitas vezes hilária, as intervenções em famílias com conflitos, os passos de uma entrevista/consulta, além de sua interessante abordagem de como manejar a vergonha e a humilhação (emoções sociais fundamentais em se tratando de violência, por exemplo).

Cobb e Sluzki, que são casados entre si, possuem uma química incrível na apresentação dos temas, dinamizando o curso e arrancando risos da plateia.

Margarita Solari realizou vários exercícios envolvendo o corpo, como relaxamentos e visualizações, enfatizando a importância de os mediadores prestarem atenção aos seus próprios sinais corporais.

Francisco Diez elaborou reflexões muito úteis sobre o que estava sendo abordado no curso, sendo que em sua síntese final destacou diversos estereótipos que caem por terra com o Modelo de Sara Cobb:

- A mediação não é terapia, mas é terapêutica;

- Pode começar com sessões conjuntas ou privadas e não termina com a redação do acordo, mas sim com o meta-acordo;

- Trabalha com as histórias “más” ou problemáticas e não o problema em si (esse só existe em função do que é contado, não está “fora” como um fato isolado);

- Os mediadores não são neutros e sim multi-parciais (são responsáveis por dar voz a cada um dos participantes da mediação);

- Os mediadores são responsáveis não só pelo processo, mas também sobre o conteúdo da história melhor formulada;

- Os mediadores devem estar conscientes do poder que exerce e dos juízos que fazem.

No final do curso, houve uma despedida emocionante ao som de dois cantores de ópera. Esperamos que sua continuação seja realmente no Brasil, como havia sido informado no folheto informativo do programa. Mas, segundo Sara e Margarita, ainda não há data confirmada.

Um comentário:

  1. Que maravilha! Temos que encontrar meios para que venham ao Brasil e que possa haver a tradução simultânea para o portugues. O modelo em causa é muito eficaz e constrói os cenários mais saudáveis que já vivi como mediadora. Eles são fantásticos. Obrigada!

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