16.12.06

Afinal, quem pode ser mediador(a)??? - Parte II

Segundo os dados parciais de nossa enquete realizada na página da Mediação de Conflitos, até o momento (dez/2006) os leitores do blog pensam que a mediação judicial não deve ser realizada apenas por advogados. A advogada e mestranda em Psicologia Simone Pligher, cuja dissertação versa sobre a mediação e a criatividade, concorda com a necessidade de discussão sobre o papel do mediador no Judiciário:

Acho que existe uma dupla mensagem nessa questão da mediação no judiciário, pois ao mesmo tempo em que se propaga a idéia de pacificação, na prática, vemos que a "medida do sucesso" da mediação é feita pelo número de acordos, pelos resultados estatísticos.
A própria estrutura destinada a essa prática (tempo, despreparo de profissionais, etc) pode indicar a diferença entre a mediação implantada para "aliviar" o Judiciário e a intervenção que busque uma aproximação das partes e a redefinição do conflito.
Um abraço e parabéns pelo seu trabalho.


Com relação à mediação e a profissão de origem dos mediadores, as argentinas Elena Inés Highton e Gladys Stella Álvarez, mediadoras oriundas da área do Direito, salientam que:

... a consideração de que o legal é o fundamental em uma mediação não só perde de vista os valores fundamentais do método de resolução de disputas diferente do julgamento, mas também pretende reivindicar a área como sendo algo exclusivo dos advogados, quando o elemento jurídico é um elemento a mais para ajudar a resolver um conflito. Não queremos dizer, com isso, que não se trate de um elemento importante, mas não é o único; e, dependendo de quem seja a parte envolvida e seu interesse, não é o mais importante. Os valores de tempo, energia, paz, trabalho, liberdade, alegria e tranqüilidade também existem e são relevantes para as pessoas, além do valor do jurídico, o qual nem mesmo é sinônimo de “justo” em um sentido amplo e integral.



*** E você, prezado(a) leitor(a) e assinante do blog, concorda com do projeto de lei de mediação brasileiro, que prevê que apenas os advogados podem ser mediadores judiciais? Vá até a página da Mediação de Conflitos e dê a sua opinião!

----------
Referência
HIGHTON, E. I., ÁLVAREZ, G. S. A mediação no cenário jurídico: seus limites – a tentação de exerver o poder e o poder do mediador segundo sua profissão de origem. In: SCHNITMAN, D. F., LITTLEJOHN, S. (orgs.). Novos paradigmas em mediação. Porto Alegre: Artmed, 1999. p. 185-206.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradecemos seu comentário, mas esclarecemos desde já que comentários anônimos ou "spams" não serão publicados.