2.9.06

Fases da Mediação


Os estágios do processo de mediação, embora tendam a possuir uma estrutura básica, podem apresentar algumas variações conforme a orientação teórica do(a) mediador(a).

Os autores Bush e Folger (2005) crêem que a prática da Mediação Transformativa não segue um modelo linear de estágios. Durante uma sessão de mediação, as pessoas “espiralam” através de diferentes atividades, que emergem em uma ordem não específica. As partes podem circular através dessas atividades diversas vezes, à medida que novas informações e contextos vão sendo criados por elas durante a sessão de mediação. Essas atividades, que contribuem para a transformação do conflito, podem incluir:

  • Criação do contexto;
  • Exploração da situação;
  • Deliberação;
  • Exploração de possibilidades;
  • Tomada de decisões.

De acordo com Haynes e Marodin (1996), o processo global de mediação inclui nove estágios:

  1. Identificando o problema
  2. Escolhendo o método
  3. Selecionando o mediador
  4. Reunindo os dados
  5. Definindo o problema
  6. Desenvolvendo opções
  7. Redefinindo posições
  8. Barganhando
  9. Redigindo o acordo

1. Identificando o problema – inicialmente, as partes devem reconhecer que há um conflito e que desejam resolvê-lo.

2. Escolhendo o método – as pessoas necessitam decidir sobre o método mais adequado para resolver o problema.

3. Selecionando o mediador – a seleção é baseada na reputação e na experiência do(a) mediador(a).

4. Reunindo os dados (buscando informações) – o(a) mediador(a) coleta informações sobre a natureza da disputa, a percepção dos envolvidos no conflito e qualquer outro dado importante.

5. Definindo o problema – a partir da informação compartilhada, o(a) mediador(a) ajuda as partes a definirem o problema, de forma mútua, não beneficiando uma pessoa em detrimento da outra.

6. Desenvolvendo opções – após definido mutuamente o problema, o(a) mediador auxilia as pessoas a elaborarem opções para resolvê-lo. As opções individuais devem ser descartadas, favorecendo-se as opções mútuas, que podem ser criadas através da técnica de “brainstorming” (tempestade de idéias). Se o processo de gerar idéias não resultar em uma variedade de opções, o(a) mediador(a) pode auxiliar as partes, sugerindo opções provenientes de casos similares.

7. Redefinindo posições – o(a) mediador(a) ignora as posições iniciais cristalizadas, auxiliando as pessoas a identificarem seus reais interesses que embasarão as negociações.

8. Barganhando – nessa fase há uma negociação sobre as escolha de soluções para que o acordo seja aceitável por todos os envolvidos.

9. Redigindo o acordo – o(a) mediador(a) redige um termo de entendimento, com linguagem clara e compreensível, no qual detalha o acordo realizado (incluindo os dados passados, a definição do problema, as opções escolhidas e a razão para a escolha, o objetivo do acordo), distribuindo uma cópia para cada participante.

Os itens 4 a 8 integram os ciclos do processo de mediação, que podem ser repetidos várias vezes. Ou seja, para cada questão há uma reunião de fatos, definição do problema, desenvolvimento de opções para resolver o problema, redefinição de posições e barganha.


Referências
BUSH, Robert A. Baruch; FOLGER, Joseph P. The promise of mediation: the transformative approach to conflict. Ed. rev. São Francisco, CA, EUA: Jossey-Bass, 2005.

HAYNES, John M.; MARODIN, Marilene. Fundamentos da mediação familiar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.


7 comentários:

  1. Anônimo12:15 PM

    Cara Lisiane, achei muito rico os textos, especificamente o das fases da mediação, como estou realizando o meu trabalho da Pós- Graduação em Terapia de família e casal, e este trabalho é sobre se a mediação poderá promover a resiliência entre os mediandos, e como que os vínculos ficam após o término da conjugabilidade, precisaria da data de qque estes teus textos foram escritos, para que eles possam ser referência bilbiográfica, obrigada, Bernadete Piva

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  2. Ol� Bernadete!
    Seu trabalho deve ser bem interessante, se depois quiser enviar um resumo para ser publicado aqui no blog, ser� um prazer.
    Com rela�o �s datas, posso lhe enviar por e-mail, basta me inform�-lo. No entanto, devo alert�-la que, com rela�o � refer�ncia bibliogr�fica de material dispon�vel na internet, o que importa � a data em que voc� acessou e n�o a data em que foi publicado.
    Abra�os,
    Lisiane

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  3. Anônimo12:49 PM

    Lisiane
    Ótimo material.Logo iniciarei um trabalho de Mediação em Bagé, estou no aguardo para o treinamento que se inicia no próximo dia 30. Quem sabe não serás uma das ministrantes do curso. Continuarei acompanhando os teus textos.
    Abraços,
    Ivete Beatriz Guimarães Severo

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  4. Ivete,
    Obrigada pelo comentário!
    Se tudo der certo, poderemos nos encontrar em Bagé, pois devo ser uma das professoras.
    Abraços e até breve,
    Lisiane

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  5. Anônimo7:10 PM

    Parabéns pelos textos e pela clareza.
    Tive o privilégio de participar do curso básico em Bagé-RS, interesso-me muito pelo tema, acredito que seja um meio de vivermos mais felizes, e numa sociedade mais humana.
    MARÍLIA VISINTAINER GIORDANI ALVES

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  6. Oi, Marília! Que bom que gostaste do curso, na ocasião não indiquei o blog porque ele não estava sendo atualizado, mas neste ano ele voltou à ativa! Quem sabe não nos reencontramos em Bagé, talvez haja uma continuação do curso. Abraços, Lisiane

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  7. Anônimo4:42 PM

    otimo trabalho

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