14.7.06

O que é Mediação de Conflitos?


Basicamente, pode-se dizer que a mediação é uma forma de lidar com um conflito (como, por exemplo, em caso de separação, divórcio, brigas entre vizinhos, etc.) através da qual um terceiro (o mediador ou a mediadora) ajuda as pessoas a se comunicarem melhor, a negociarem e, se possível, a chegarem a um acordo.

Em seu livro “Mediação Familiar”, a psicóloga Stella Breitman e a advogada Alice Porto fazem uma interessante análise sobre os diversos conceitos de mediação. Uma das definições mais abrangentes que essas autoras citam é de Tânia Almeida:

A mediação é um processo orientado a conferir às pessoas nele envolvidas a autoria de suas próprias decisões, convidando-as à reflexão e ampliando alternativas. É um processo não adversarial dirigido à desconstrução dos impasses que imobilizam a negociação, transformando um contexto de confronto em contexto colaborativo. É um processo confidencial e voluntário no qual um terceiro imparcial facilita a negociação entre duas ou mais partes onde um acordo mutuamente aceitável pode ser um dos desfechos possíveis (2001, p. 46).


A definição do processo de mediação de conflitos está diretamente relacionada à orientação teórica de seu/sua autor(a).

  • Alguns autores enfatizam a resolução de conflitos, então a Mediação seria uma forma de resolução de conflitos.
  • Outros destacam o acordo entre as partes, de tal forma que a Mediação teria como objetivo principal o acordo.
  • Outros, ainda, ressaltam a comunicação; logo, a Mediação seria um meio de proporcionar uma melhor comunicação entre as pessoas em conflito.
  • Há aqueles que salientam a transformação, de maneira que a Mediação transformativa é mais enfatizada, não importando se as pessoas chegam a um acordo ou não.

O processo de mediação é complexo, podendo comportar os conceitos de “resolução de conflitos” (ou gestão de conflitos), “acordo”, “comunicação”, “transformação”. Não deve ser visto, porém, de forma simplista, atado a apenas um desses conceitos.

Como bem salienta a advogada Águida Arruda Barbosa (2006), “a definição de mediação também se enquadra como espaço de criatividade pessoal e social, um acesso à cidadania. A mediação encontra-se num plano que aproxima, sem confundir, e distingue, sem separar”.

_______
Referências
BARBOSA, Águida A. Relação de Respeito. Boletim IBDFAM, n. 38, ano 6, p. 7, maio-jun. 2006.
BREITMAN, Stella; PORTO, Alice C. Mediação familiar: uma intervenção em busca da paz. Porto Alegre: Criação Humana, 2001.


8 comentários:

  1. neila machado10:05 AM

    ótima fonte de estudo que pode ser recomendado para varias pessoas parabéns

    ResponderExcluir
  2. Maiane Paulino3:36 PM

    Ótimo conteúdo, aliás este sítio está muito bem elaborado, meus parabéns!

    ResponderExcluir
  3. Boa conceituação. Mas se pegarmos a essência jurídica, há divergentes formas de solução pacífica de conflitos:
    Mediação - há a facilitação do diálogo, mas não se posiciona
    Negociação - as partes envolvidas negociam, propondo ganhos e perdas
    Arbitragem - terceiro imparcial, técnico no assunto, intervém no conflito e decide-o
    Solução jurídica - ancora-se na lei, não necessariamente no justo entre as partes
    Conciliação - aproxima as partes e formula propostas

    Gleidison Antônio - Tenente PMTO - Instrutor do Curso nacional de Multiplicador de Polícia Comunitária (Disciplina de Mediação e demais meios de resolução pacífica de conflitos)

    ResponderExcluir
  4. Olá, gostaria de saber se a Arbitragem tem que ser um técnico especializado, como um advogado por exemplo?

    E se possível diferenciar conciliação de mediação?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lucas, de acordo com a Lei 9307/96, Art. 13., pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a confiança das partes. As diferenças entre mediação e outras formas de se lidar com os conflitos podem ser verificadas aqui: http://www.mediarconflitos.com/2006/08/diferenas-entre-mediao-e-outras-formas.html

      Excluir
  5. Sandra Beatriz Cislaghi10:21 PM

    Adorei esta fonte de informações, bem clara e objetiva. Excelente material para construção do conhecimento com os alunos.

    ResponderExcluir
  6. Amigos, bom dia a todos, penso sim que há muitas distorções no entendimento dos tipos e aplicações da Justiça Conciliatória, mas o importante é conhecer que após pouco mais de meio milheiro de sessões feitas a visão amplia-se muito e acredito na necessidade de vermos na forma 360º ou seja multidimensional, para assim podermos assistir as partes.

    ResponderExcluir
  7. Amigos, boa tarde, como muito tenho visto de que realmente há muitas distorções na interpretação e aplicação nos Métodos Alternativos de Resolução de Conflitos, mas após pouco mais de meio milheiro de sessões penso ser muito importante a cada sessão é a visão 360º ou seja multidimensional para assistir as partes.

    ResponderExcluir

Agradecemos seu comentário, mas esclarecemos desde já que comentários anônimos ou "spams" não serão publicados.